Mundo pós-coronavírus terá menos gente nos escritórios

June 22, 2020

Trabalho em casa eleva produtividade, dizem empresas como Ambev e J & J

 

Escritórios pelo mundo pós Covid-19 terão poucas cadeiras, muito espaço vazio, advertências contra uso de elevadores e salas de reunião, e aplicativos para monitoramento de possíveis contágios.

 

Empresas como a Ambev, Johnson & Johnson, e a Stefanini e TopDesk, de TI, pretendem aumentar significativamente os dias de home office mesmo quando não houver mais necessidade de isolamento por causa do coronavírus.

 

Essas empresas chegaram à conclusão de que os funcionários, em média, são muito mais produtivos trabalhando em esquema remoto do que presencialmente. Esperava-se que os funcionários fossem mais dispersos trabalhando de casa, com filhos e família em volta, cachorro latindo, e tarefas domésticas por fazer. Mas, na realidade, as pessoas se tornaram mais focadas, discussões são mais rápidas, não há tanto atraso nas reuniões

por zoom, e nem tempo gasto com cafezinho ou fofoca com os colegas.

 

A Ambev fez uma pesquisa com os funcionários sobre como eles gostariam que fosse a volta aos escritórios, que deve se iniciar a partir de 1 de julho: 5% querem que o trabalho passe a ser totalmente remoto, 5% querem totalmente presencial, e a grande maioria, 90%, quer uma solução híbrida, uma combinação entre trabalho remoto e presencial, como um ou dois dias por semana no escritório.

 

“A produtividade do trabalho remoto é maior, porque há mais tempo sem interrupções e mais eficiência nas reuniões —são mais pontuais, mais curtas e com menos pessoas, o que leva a um maior foco”, diz Camilla Tabet, diretora de Gente e Gestão da Ambev.

 

A meta na Stefanini, multinacional de tecnologia da informação, é colocar 50% das pessoas no modelo remoto em até 18 meses. A empresa terá três regimes: um de home office total, um parcial, em que o funcionário poderá optar por dois a três dias em casa, e um de flexibilidade em relação a horários.

 

Na TopDesk, multinacional holandesa que desenvolve software para gestão de serviços, houve uma redução de 45% no tempo de resolução dos chamados dos clientes desde que a equipe inteira passou a trabalhar remotamente, em 13 de março.

 

A gigante de saúde Johnson & Johnson também vai ampliar o leque de alternativas para parte dos trabalhadores. A crise da Covid-19 colocou cerca de 70% dos 6.500 funcionários em casa. Ficaram na operação os que lidam com a produção de bens essenciais, como de saúde e higiene, e os profissionais de distribuição.

 

O retorno aos escritórios da farmacêutica, que ocupa cinco andares no edifício JK em São Paulo, será em três ondas. Na primeira, voltam empregados essenciais, como de pesquisa e desenvolvimento. As outras duas ondas dependerão de fatores externos, como melhora do quadro de saúde da população e alternativas de imunização, como a vacina.

 

Uma das adaptações necessárias para fazer o ambiente de trabalho 100% remoto funcionar foi uma melhora na comunicação. Na TopDesk, pela manhã, os funcionários têm uma reunião por teleconferência de 15 minutos, de pé, em que relatam o que fizeram no dia anterior e o que farão no dia de hoje. A Ambev
tem reuniões semelhantes.

 

É claro que nem tudo funciona melhor com o trabalho remoto. Segundo Danilo Igliori, professor de Economia Urbana da Faculdade de Economia da USP e economista-chefe do grupo ZAP, a proximidade entre as pessoas traz algumas vantagens importantes. Há ganhos de escala quando se concentra a logística e os insumos em um local só, comparado à necessidade de garantir que todo funcionário tenha, em sua casa, um computador e uma conexão de internet decentes, além de cadeira e espaço adequados.

 

Segundo ele, o efeito da interação cara a cara sobre a produtividade também não pode ser subestimado. “Uma das coisas mais importantes da proximidade entre pessoas é a transmissão de conhecimento, gerando criatividade, inovação”, diz Igliori.

 

Ele lembra que, nos anos de 1990, quando a internet se popularizou, diziam que seria a morte das grandes cidades, porque ninguém mais ia querer morar nos centros urbanos, já que poderiam trabalhar de onde quisessem. De fato, pode-se trabalhar de qualquer lugar, mas nem por isso todo mundo opta por isso.

 

“Trabalho remoto é importante, traz ganhos até na qualidade do ar, mas não é a melhor opção para tudo”, diz Igliori. “Acho que o home office vai se disseminar, mas as empresas não vão abandonar completamente a proximidade física e a interação pessoal.”

 

“Algumas coisas não funcionam bem remotamente, como o brainstorming”, diz Krommendijkda TopDesk. “É difícil ter animação, sinergia, online.”

 

O tema deste artigo poderá ser trabalhado pelo palestrante motivacional André Castro em sua palestra de motivação contribuindo, desta forma, para que os participantes alcancem suas metas e objetivos profissionais e pessoais. 

 

 

 

 

 

 

 

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